Caminho: 70 anos

07/10/2009

A Verdadeira Amizade

06/10/2009

Aqueles que amam e respeitam o Senhor encontrarão o amigo fiel" (Cf. Eclo 5, 16). Falar de uma experiência vivida de amizade já não é tão difícil como simplesmente escrever sobre a amizade. Os conceitos quase sempre limitam muito esse mistério, portanto, é necessário vivê-lo para ao menos tentar descrevê-lo. As Sagradas Escrituras nos deixaram ricos testemunhos de amizade, pra não falar d’Aquele que viveu a mais profunda e rica experiência de amizade com os homens, Jesus, o amigo por excelência, o verdadeiro referencial para o amor fraterno (1).

    O Primeiro livro de Samuel, capítulo 18, tem uma das mais belas experiências de amizade das Sagradas Escrituras. Muitos ao longo da história já o atestaram e escreveram sobre essa amizade: trata-se de David e Jônatas (2). Diante deste relato bíblico podemos afirmar que existe uma vocação à amizade. Não só a história da Filosofia Clássica ou a história da Igreja (3) nos evidenciam tal verdade, mas também e, principalmente, o contexto bíblico em que se foi formando o Povo de Deus com o registro de suas experiências. Diz a Tradição Cristã que, nas Sagradas Escrituras, a amizade de David e Jônatas ocupa um lugar privilegiado.

    David e Jônatas eram dois homens de Deus, mas traziam a "marca da imperfeição", do pecado, e os apelos interiores quanto às questões de nobreza. David provinha de uma família humilde, porém, tinha consciência disso e era um homem temente a Deus (4), enquanto Jônatas era filho do Rei Saul que, mesmo sendo descendente de uma das menores tribos de Israel, Deus o havia constituído chefe do seu patrimônio (5). A mão do Senhor estava sobre ele e seu filho Jônatas (6). Interessante é observar que mesmo quando a mão do Senhor não pousar mais sobre Saul, Jônatas demonstrará que sua amizade com David não dependerá de garantias humanas e terá sido assim desprovida de interesses. É muito belo observar essa realidade e dela tirar uma lição de vida para as experiências de amizade nos dias atuais.  

      Jônatas realiza o seu chamado a ser amigo de maneira exemplar: "Assim que David terminou de falar com Saul, Jônatas se apegou a David e começou a amá-lo tanto quanto a Si (…) Então Jônatas fez aliança com David, porque o amava como a si mesmo. Jônatas tirou o manto que vestia e o entregou a Davi, assim como suas vestes, até mesmo sua espada, seu arco e seu cinturão" (I Samuel 18, 1-4).Como vemos, os dois selam uma aliança, "Berit" (7), porque se amavam como a própria alma ou, como diz a Filosofia Clássica, "amor dedicado ao outro que traz como que o meu próprio coração" (8). Interessante ressaltar que a Aliança do "Berit" dava também um caráter jurídico á relação. A Benção que um concedia ao outro fazia com que eles se acolhessem numa relação nova, numa espécie de consangüinidade. Daí a clareza e a riqueza com evidencia isto o livro dos Provérbios quando diz: "existe amigo mais fiel que irmão" (Pv 18, 24).

São esses laços de fidelidade interior ao outro, acompanhados da experiência de que Deus é o autor dos encontros que salvaguardará e confortará a amizade nos momentos de prova, de crise, de silêncio e de purificação (9). A amizade tem suas exigências que são ulterior a uma dedicação de sentimentos, mas chega a necessitar da disposição para dar a vida pelo amigo. Esse dar a vida pelo amigo consiste na capacidade de renúncia dos interesses egoístas, na fidelidade aos seus segredos sem ser condizente com a mentira e o pecado, e sem desistir do amigo quando suas fraquezas parecem ser um empecilho para a relação. O dar a vida é viverem juntos esse tempo de purificação tão necessário para a amizade, libertando-a da escravidão das concupiscências (10). Jônatas exerce para com o seu amigo David exatamente como aqui descrevo. Nele o amor dedicado ao amigo David foi mais forte do que qualquer interesse, inclusive, foi capaz de renunciar aos interesses do seu pai Saul para ser fiel ao amigo. Lembro assim o que disse o filósofo existencialista, Gabriel Marcel: "O homem é livre quando é disponível".

Encontramos na liturgia das horas a expressão desse mistério da renúncia de Jônatas como fruto de quem perscrutou o coração do amigo, viu nele a face de Deus e crer nos desígnios do Senhor acerca do amigo: "Jônatas, jovem de grande nobreza, sem olhar para a coroa régia nem para o futuro reinado fez um pacto com David, igualando assim, pela amizade, o súdito ao senhor (11). Deu preferência a David, mesmo quando este foi expulso por seu pai o rei Saul, tendo de se esconder no deserto, como condenado à morte, destinado à espada. Jônatas então se humilhou para exaltar o amigo perseguido: Tu, são palavras, serás rei e eu serei o segundo depois de ti. Que espelho estupendo de verdadeira amizade! Admirável!" (12). Aristóteles é o filósofo que mais escreveu sobre a amizade humana, inclusive, deu um salto maior na compreensão do mistério da amizade segundo o que pensava o mestre Platão (13). "No amor – pensava o filósofo – o amigo deve ser capaz de chegar até ás últimas conseqüências, a ponto de doar não só os próprios bens, mas também a própria vida pelo amigo". Com toda admiração e respeito ao que pensou Aristóteles, é-nos indispensável ressaltar que a sublimação deste gesto de "amor oblativo" só se toma forma plena em Jesus Cristo. O dar a vida pelos amigos tem, em Jesus, um valor infinitamente superior ao que se pensaram os filósofos de todos os tempos.

Isso se dá porque, no plano da salvação, o amigo que sacrifica a vida pelo amigo a ponto de amá-lo ao extremo, seja ele pecador ou justo, é o homem-Deus, Jesus Cristo. A decisão de amar livremente é acompanhado e impulsionado pelo desejo de amar, como fruto da ação divina. Quando o amor fica apenas no plano dos sentimentos é um amor superficial que tão rapidamente pode se corromper, ser negociado pelas nossas próprias inclinações e concupiscências. Esse amor se torna ainda infantil, sem estabilidade, impossível de suportar as purificações necessárias. Não há amizade se não há uma participação mútua (reciprocidade), embora o amor de Deus não nos falte quando o ignoramos. No entanto, já não podemos chamá-lo de Pai e de amigo se não correspondemos a esse amor.

O amor de Deus "necessita" da nossa colaboração para que seja em nós "força transformadora, fonte de felicidade e salvação". Só então o meu amor tem força de me impelir ao outro para construir com ele fraternidade. É o amor como dom e como decisão que pode construir comunhão, revelar – segundo Bento XVI – o parentesco até então desconhecido, podendo então reconhecer juntos que somos irmãos. O Santo Padre clareia bem o que estou tentando dizer: "Realidades humanas não existem sem o homem, sem o empenho livre do seu espírito e do seu coração (…). Do mesmo modo como a fraternidade é amor, também é um fato profundamente humano uma parte daquela humanidade de Deus (Tt 3, 4) que aparece em Cristo, para nos fazer verdadeiramente homens, para sermos filhos de Deus" (14). É Cristo o único que pode dar sentido aos atos humanos e aos laços de fraternidade. É contemplando e fazendo a experiência da misericórdia divina ao logo da história da Salvação, que podemos compreender quão grandes é o mistério da fraternidade e da amizade na vida de Jônatas e Davi. A radicalidade do amor e da amizade vivida entre eles foram apenas prefiguração do amor e da amizade com que Cristo nos ensinaria a viver com Ele e com o Pai.


Notas do texto:
1 – "A referência para o nosso amor fraterno é o de Jesus Cristo que, tendo amado os seus, amou-os até o fim" (Jo 13, 1). Estatutos da Comunidade Católica Shalom, 48. (Este texto é disponível apenas aos irmãos da Comunidade); Grande parte da riqueza sobre a Caridade Fraterna e amizade humana que tento descrevê-la, tenho refletido nas muitas formações e pregações de Moysés Azevedo e Maria Emmir (Fundadores da Comunidade Católica Shalom);    
2 – O Ofício das Leituras dispõe ricamente do texto: "Fragmento do tratado sobre a amizade espiritual, do Beato Elredo, abade". Verdadeira, perfeita e eterna amizade entre David e Jônatas. O livro "Fio de Ouro" de Maria Emmir e Dra. Sílvia (Edições Shalom), no capítulo sobre a amizade chega a citar a experiência da amizade de David e Jônatas.  
3 – Na História da Filosofia se destaca Aristóteles com a sua célebre obra: "Ética a Nicômaco", e Cícero com seu tratado "Da amizade". Um autor atual, filósofo e professor da EDUSC / Brasil, escreveu um livro no qual ele resume os principais textos da História da Filosofia sobre a amizade. Na História da Igreja se destacam os Escritos de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino. No entanto, algumas obras que chegaram até nós de autores contemporâneos são ricas e aprofundam o tema, tais como: "Nos caminhos da amizade; Eu te desejo um amigo, Vida Religiosa: da convivência à fraternidade e Ministério da amizade". Uma obra valiosa é ainda a Monografia (Trabalho conclusivo do Curso Superior de Filosofia pelo ITEP – Fortaleza) do Pe. João Wilkes, CCSh: "A amizade em Aristóteles" (Obra não publicada);. 
4 – Cf. I Samuel 16, 11-13; II Samuel 7, 8.18;
5 – Cf. I Samuel 9, 21; 10, 1;
6 – Cf. I Samuel 14, 45;  
7 – Aliança: Uma promessa solene feita entre duas pessoas ou do Povo Santo com o Deus de Israel. Compromisso de vida através de um juramento, que pode ser uma fórmula verbal ou através de uma ação simbólica, litúrgica ou religiosa. O Berit é uma aliança acompanhada de sinais, sacrifícios e um juramento solene que selava o pacto com promessas de bênção para quem guardasse a aliança e de maldição para quem a quebrasse (Interpreter´s Dictionary of the Bible);
8 – Interpretação do Filósofo Aristóteles; Destacamos ainda a célebre frase de Santo Agostinho: "Na amizade temos uma alma em dois corpos" (Confissões, 4,6. Cidade Nova, 10ª Edição, 1989);
9 – Vale a pena conferir o que Maria Emmir e Dra. Sílvia escrevem sobre a amizade e o seu tempo de purificação, no Livro Fio de Ouro (Edições Shalom);
10 – O Papa João Paulo II, na Carta Pastoral  "Novo Millennio Ineunte" fala da espiritualidade de Comunhão que consiste nesse "dar especo para que o outro aconteça". Já o Papa Bento XVI, na Encíclica "Deus Caritas Est", fala exatamente da necessária via de purificação do amor-eros até que ele seja revestido do amor-ágape, amor altruísta, que dar a vida pelo outro. Evidentemente que esse amor-ágape está acima do amor-filia (Amizade, que exige naturalmente a reciprocidade), porque é o amor que faz com que eu ame e acolha até mesmo aqueles que são mais difícies vendo neles a face de Deus;
11 – " A amizade é uma experiência sublime, por isso ela é destinada a cada homem, não importando a raça, cultura, idade, sexo, condição social e religião" (Carta do amigo Pe. Joel de Jesus). É bem verdade que ela une pobres e ricos e nivela as diferenças sem ofuscá-las ou destruí-las;
12 – Ofício das Leituras. Fragmento do tratado sobre a amizade do Beato Elredo, abade;
13 – "Para Platão – baseado em Empédocles – é a natureza e não o divino que torna os homens amigos. Nesse sentido chega a afirmar na "Obra Liside" que todas as coisas são amigas entre si. Pensava ainda que é o "Eros" com sua força espiritual de amor que dá à "filia" uma forma transparente e sublime, e faz com que o Eros obtenha o seu fim. Para Platão a amizade é uma etapa intermediária para se conseguir a perfeição da divina contemplação, logo, a amizade não é um bem em si mesmo, mas somente enquanto ajuda o homem a conseguir um tal objetivo: a amizade possui um valor orgânico e instrumental. Na maneira de pensar do Filósofo Aristóteles – vivendo num outro contexto histórico e político – a amizade se torna um problema ético. A "filia" com Aristóteles entra a fazer parte de um mundo ético. Para Aristóteles a amizade é uma virtude ou nos conduz a ela; além do mais ela é necessária para a vida. De fato ninguém escolheria viver sem amigos, mesmo se tivesse todos os outros bens"  (Carta do amigo, Pe. Joel de Jesus); O Cristianismo eleva o conceito de amizade para além de simplesmente "uma virtude". Em Cristo a amizade tem caráter de dom, vocação, comunhão como fruto da amizade que Cristo viveu com o Pai, tornando-se agora o referencial para o amor humano. A própria história da Salvação é a fonte onde vemos o processo do conceito da amizade amadurecer e chegar à plenitude em Jesus. 
14 – Joseph Ratzinger. Dogma e Anúncio, p. 203, Loyola, 2007;

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por Antonio Marcos , Missionário na Comunidade de Vida Shalom.


Papa reza para que os Cristãos vivam o Domingo como se deve…

05/10/2009

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 2 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Neste mês de outubro, Bento XVI reza para que os cristãos redescubram o valor do domingo como dia da Celebração Eucarística.

Esta é uma das intenções de oração para o mês de outubro, contida na carta pontifícia que o Papa confiou ao Apostolado da oração para este ano.

A intenção geral da oração para o mês de outubro diz: “Para que o domingo seja vivido como o dia em que os cristãos se reúnem para celebrar o Senhor ressuscitado, participando da mesa da Eucaristia”.

O Papa reza cada mês por uma intenção missionária também. A de outubro diz: “Para que todo o Povo de Deus, a quem foi confiado por Cristo o mandato de pregar o Evangelho a toda criatura, assuma com empenho a própria responsabilidade missionária e a considere como o mais alto serviço que pode oferecer à humanidade”.

O Apostolado da Oração (www.adp.it) é uma iniciativa acompanhada por cerca de 50 milhões de pessoas nos cinco continentes.


Sábado do Sacerdote

05/10/2009

 

A devoção do "Sábado do Sacerdote" hoje tão largamente conhecida e praticada em todo o mundo católico, nasceu, em 1934, do zelo apostólico dum piedoso sacerdote da Congregação do Divino Salvador.

Não é uma associação religiosa propriamente dita. Todos os fiéis podem praticá-la. Consiste em consagrar todo o dia do sábado que segue imediatamente à primeira sexta-feira do mês, à santificação do clero e dos candidatos ao sacerdócio.

Nessa pia intenção, oferecem ao Divino Salvador, pela mediação da Mãe de Deus, a Santa Missa, a sagrada comunhão e todos os atos meritórios desse dia (podendo servir para este fim o "Oferecimento" abaixo).

Os Santos Padres os Papas Pio XI e Pio XII, abençoaram e recomendaram à piedade de todos os fiéis a feliz idéia do zeloso sacerdote salvatoriano, sendo secundados por numerosos Cardeais, Arcebispos e Bispos de todo o orbe católico.

Oração de Santa Terezinha do Menino Jesus pelos sacerdotes

Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, conservai todos os vossos sacerdotes sob a proteção do vosso Coração amabilíssimo, onde nada de mal lhes possa suceder. Conservai ilibadas as suas mãos ungidas, que tocam todos os dias em vosso Corpo santíssimo. Conservai puros os seus lábios, tintos pelo vosso Sangue preciosíssimo. Conservai puros e desapegados dos bens da terra, os seus corações que foram selados com o caráter sublime do vosso glorioso sacerdócio. Fazei-os crescer no amor e fidelidade para convosco e preservai-os do contágio do mundo. Dai-lhes também, juntamente com o poder que têm de transubstanciar o pão e vinho em vosso Corpo e Sangue, o poder de transformar o coração dos homens. Abençoai os seus trabalhos com copiosos frutos, e concedei-lhes um dia a coroa da vida eterna. Assim seja.

"Jesus, Salvador do mundo, santificai os vossos sacerdotes e levitas."

"Mandai, Senhor, à Vossa Igreja, sacerdotes santos e religiosos fervorosos."

OFERECIMENTO

Divino Salvador, Jesus Cristo, que confiastes aos sacerdotes, como a vossos representantes, a obra da Redenção, a salvação e a felicidade dos homens, eu vos ofereço pelas mãos de nossa Mãe Santíssima, para a santificação dos sacerdotes e dos candidatos ao sacerdócio, inteiramente todas as orações, trabalhos, alegrias, sacrifícios e sofrimentos deste sábado.

Concedei-nos, Senhor, sacerdotes verdadeiramente santos, que abrasados pelo fogo do vosso amor divino, só procurem a vossa maior glória e a salvação de nossas almas.

E vós, ó Maria, boa Mãe dos sacerdotes, protegei a todos eles nos perigos e dificuldades de sua santa vocação. Guiai também, com vossa Mão maternal, os pobres sacerdotes transviados, que se tornaram infiéis à sua sublime vocação, para que voltem, quanto antes, para junto do Bom Pastor.

Amém.

Maria Santíssima, Rainha do Clero, Mãe de Jesus, Sumo Sacerdote, intercedei pelos sacerdotes e pelos que se preparam para o sacerdócio, e despertai verdadeiras vocações sacerdotais entre a mocidade.

IMPRIMI POTEST: Rio de Janeiro, 15-08-1942
P. Vicente Hirschle – Sup. Prov. S.D.S.
IMPRIMATUR: S. Paulo, 17-08-1942
Mons. Antônio de Castro Mayer – Vig. Geral

Fonte: Movimento do Rosário Permanente


REGULAMENTO DE VIDA PARA UMA PESSOA SANTIFICAR-SE NO MEIO DO MUNDO

03/10/2009

Extraído e adaptado das obras de Santo Afonso Maria de Ligório

De manhã:

I – Levantar-se a uma hora certa, como por exemplo, às 5 horas ou às 5:30, e nunca alterar a hora sem causa justa;

II – Oferecer, logo que acordar, o coração a Deus, fazer o sinal da cruz e vestir-se prontamente e com modéstia; depois rezar de joelhos três Ave-Marias em honra do Coração Imaculado da Santíssima Virgem Maria para obter uma grande pureza de coração, de corpo e espírito;

III – Fazer a oração e meditação da manhã durante meia hora, ou ao menos por espaço de um quarto de hora.

IV – Assistir à Santa Missa todas as vezes que puder.

Durante o Dia:

V – Fazer pelo menos um quarto de hora de leitura espiritual;

VI – Recitar o terço meditando em seus mistérios, sendo possível reze-o em família;

VII – Fazer a visita ao Santíssimo Sacramento e à Santíssima Virgem, na Igreja caso possível;

N.B. Para estes três exercícios, se fixa a hora em que as ocupações de cada um permita:

VIII – Dizer freqüentemente e dum modo especial, no principio e no fim do trabalho, orações jaculatórias, e fazer principalmente atos de amor a Deus como: “Ó meu bom Jesus! Eu vos amo. Eu quero amar-vos; fazei que eu vos ame muito, etc". não esquecendo a prática da comunhão espiritual;

IX – Exercitar-se na mortificação dos olhos, dos ouvidos, da língua, abstendo-se de olhar para coisas inúteis, de as escutar e dizer, ainda que não sejam perigosas, para deste modo mais facilmente se abster das más e perigosas;

X – Aproveitar as ocasiões de sofrer alguma pena, contradição ou humilhação por amor a Deus. Submeter-se em todas as contrariedades e padecimentos, em todas, à vontade de Deus, dizendo: "Oh! Meu Deus! Vós assim o quereis, a vossa vontade seja feita".

XI – Quando estiver à mesa, abster-se de alguma coisa de que mais goste; nunca saciar inteiramente o apetite, nem comer fora da hora da comida sem necessidade.

XII – Evitar a ociosidade, as más companhias, as más leituras e as ocasiões do pecado, especialmente aquelas em que a castidade pode sofrer perigo. Santo Afonso, Santa Tereza e muitos outros Santos dizem que uma das principais regras para a perfeição e santificação d’uma alma, é evitar a familiaridade das pessoas de diversos sexos, ainda que essas pessoas sejam religiosas, porque muitas vezes o demônio lança em nosso coração certas afeiçõezinhas menos puras para com elas, fazendo passar por espirituais coisas que são verdadeiras loucuras;

XIII – Fazer o sinal da cruz nas tentações, sobre tudo nas carnais, estando só e dizer no fundo do coração: "Jesus! Maria! José! Socorrei-me". Não se perturbar, se a tentação continuar, mas orar mais vivamente e dizer: "Ò meu Jesus! Antes quero morrer que ofender-vos".

XIV – Não se perturbar, se tiver a desgraça de cometer algum pecado mesmo grave, mas fazer um perfeito ato de contrição com o propósito de não cair mais e de confessar na primeira ocasião que puder;

À Noite:

XV – Fazer, em uma hora fixa, como por exemplo, às nove horas, a oração da noite e o exame de consciência; dizer os Atos cristãos e as Ladainhas da Santíssima Virgem depois de ler alguma coisa acerca do que deve meditar no dia seguinte;

XVI – Depois de ter rezado as três Ave Marias, como de manhã, despir-se com modéstia; estando na cama cobrir-se sempre com decência e conservar-se nela com modéstia; ocupar o espírito na meditação do dia seguinte, no pensamento da morte ou em qualquer outro santo pensamento, e fazer ou dizer as orações jaculatórias que puder, até que venha o sono.

***

XVII – Escolher um bom confessor, em quem tenha confiança; abrir-lhe bem o coração e deixar-se guiar pelos seus conselhos, e nunca o deixar sem grave motivo;

XVIII – Confessar-se uma vez por semana e comungar tantas vezes quantas o seu diretor permitir;

XIX – Nutrir no seu coração uma devoção constante e terna para com Maria Santíssima. Repetir a Ave Maria quando o relógio der horas, ao entrar em casa e ao sair, acrescentando: "Jesus Maria e José, eu vos amo; não permitais que eu vos ofenda". Jejuar nos sábados e na véspera das sete festas de Maria Santíssima. Fazer uma novena com preparação para cada uma delas, bem como as do Natal, Pentecostes e Santo Patrono. Trazer os escapulários ou algumas medalhas piedosas e inspirar aos outros a devoção à Maria Santíssima.

XX – Ouvir sermão todas as vezes que puder. Entrar em uma congregação, para se ocupar do que interessa a alma. Fazer com o mesmo fim um dia de retiro espiritual, todos os meses. E todos os anos exercícios espirituais por espaço de quatro ou cinco dias.